terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Da Crunch!!

Pois é...a dádiva da globalização, para além das deslocalizações de empresas, ténis baratos, lojas de preço único, e coisas do género, foi a de que cada vez mais não estamos sozinhos no mundo, mas infelizmente, normalmente não nas melhores razões. Se antes em termos económicos, se costumava dizer que "se a américa espirra, o mundo constipa-se", podemos dizer agora que por esta altura o mundo inteiro está de cama, e nem se sabe se, ou como vai reagir a antibióticos! Vem isto a propósito da crise mundial, ou como lhe chamam os bifes, "the credit crunch".
Gosto bastante de História, e nas horas de leitura que tenho sobre o assunto, se houve coisa que aprendi, foi que a história tem tendência a repetir-se. Só ainda não percebi se devido à estupidez humana, de não saber recolher as experiências do passado, se por optimismo excessivo. Mas o certo, é que a história repete-se,e tem os seu ciclos...ora bons, ora maus. Talvez por isso, e sem dúvida por ter nascido nesse país abençoado pela Nossa Senhora da Santa Crise Constante, crise, sempre foi palavra que não me meteu medo. E como para mim para um problema, existem várias soluções, quando vi que não poderia escapar à dita cuja Nossa Senhora, meti a mochila ás costas, e vim fazer pela vida para o Reino Unido. Longe de mim pensar, que passado um ano aqui, me veria outra vez atingido pela dita senhora...
Como já todos estarão carequinhas de saber, esta não é uma crise "normal". Não só pelas razões que a originaram, mas também pelo impacto global que teve/tem. As relações comerciais globais, ampliaram o "efeito borboleta", e não há quem lhe escape. Por exemplo, se a Alemanha não compra, despede-se em Portugal. Como já disse, acho natural que hajam "ciclos", e que naturalmente o bom suceda o mau, e vice-versa. Os tempos de prosperidade, sucedem os de crise. Pacífico. O que me custa a engolir nesta, sinceramente, é que meia dúzia de senhores, a receber fortunas, consigam "enterrar" mais de meio mundo. E irrita-me solenemente, que depois, seja preciso ser o "pé-rapado" a pagar a factura, a comprar bancos falidos, enquanto esses senhores recebiam prémios de produtividade (sim, isso mesmo...e por exemplo aqui no UK, na ordem do milhão de libras/ano)...mas enfim....também não me vou alongar muito sobre o assunto. Temos crise, é o que é...E segundo alguns analistas, a maior que já se viu desde as Guerras Mundiais...segundo outros, irá custar ao mundo, precisamente o dobro do que custou a I Guerra Mundial. Pois eu acho que até não é mau, sinceramente....quer dizer, a I Guerra Mundial, já foi quase há 100 anos...o que não paga a actualização da inflação, e ainda para mais, foi a preto e branco! Se a isto juntarmos a quantidade de mortos e de chatices que se poupou, até acho que não foi mau negócio...
Quando aqui rebentou a "bomba" do banco Northern Rock, que o governo Inglês adquiriu, juro que pensei, quando é que iria ver acontecer algo parecido na minha terrinha. Demorou um bocadinho, mas como não podia deixar de ser, ou não fosse em Portugal, claro que tinha de ter saloiada pelo meio. E o bendito estado português acaba por comprar um banco falido, envolvidíssimo em golpadas, que pelos vistos toda a gente sabia, menos o governador do banco de Portugal, e a revelarem tráficos de influências, que se muito boa gente tivesse vergonha, fechava-se em casa. E se outros tivessem coragem, fechavam-nos era na prisão. Só em Portugal se vê este compadrio e tráfico de influências, ás claras, com tão pouca vergonha. Ao menos os italianos não "bufam" porque, porra, a Camorra manda-os direitinhos ao Céu, sem passar pelo Vaticano....O que é certo, é que nos está a doer a todos...e aqui também tocou bastante, especialmente na minha área de trabalho.E eu, não escapei. Vi-me de novo á procura de trabalho. Mas curiosamente, ou não, mesmo quando as coisas começaram a ficar mais complicadas, nunca perdi a certeza que me iria orientar. E acbou por acontecer.
Arranjei trabalho, mas noutra cidade. Quando já me sentia meio "Bromie" (habitante de Birmingham), eis que vou eu direito a Sul, para a terra onde andou o compatriota Pedro Mendes (que já não encontrei aqui, pois foi jogar para Glasgow), para Portsmouth. Agora sou "Pompey".
Uma das coisas boas da crise, é a "triagem" que faz...é uma espécie de selecção natural. Os mais fortes, ou mais aptos, sobrevivem. E como jogo de cintura é coisa que não me falta, tenciono sobreviver, e ultrapassar o Crunch!

(ps: a título de curiosidade, e uma vez que falei de História, deixo-vos uma frase de Thomas Jefferson...um tipo já antigo, mas que tinha a "pestana bem aberta"....

«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.»
Thomas Jefferson, 1802 )

2 comentários:

Marta disse...

Wowww!!!A frase do Thomas Jefferson adequa-se perfeitamente. Ainda ontem uma colega me dizia que tiveram uma reunião no banco onde ela trabalha e lhe disseram que iam despedir pessoas porque os lucros só aumentaram 140%!!!

ovelha_ranhosa disse...

Mas não são só os Bancos...lembro-me que faz agora 2-3 anos, os seguros em Portugal subiram bastante de um ano, para o outro. Acontece, é que não foi por estarmos todos a ter mais acidentes, e as empresas Seguradoras estarem a perder dinheiro com as indemnizações...foi por terem investido os lucros em aplicações de risco, e terem perdido o dinheiro...e quem se lixa???o mexilhão...